Aluna do Leo Social conta como superou a depressão e acolhimento que recebeu da instituição

Aluna do Leo Social conta como superou a depressão e acolhimento que recebeu da instituição

Mônica Biguetti Galvão foi aluna do curso de Meio Oficial de Marcenaria 

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Uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que, durante a pandemia do coronavírus, o Brasil liderou os casos de depressão e ansiedade. De acordo com o estudo, o Brasil foi o país que mais teve casos de ansiedade (63%) e depressão (59%).

A pesquisa foi realizada em onze países e o Brasil ficou à frente, por exemplo, de países como Irlanda – 61% das pessoas com ansiedade e 57% com depressão – e dos Estados Unidos – 60% e 55%, respectivamente.  

Foto: Monica/Arquivo pessoal

Mônica Biguetti Galvão, de 50 anos, teve depressão em 2018 e depressão profunda em 2020. Ela foi aluna do curso de Meio Oficial de Marcenaria em 2018 e relembra como conseguiu reverter esse quadro.

“Eu cuido dos meus pais desde 2017. Eles passaram por cirurgias. Fui demitida do banco [em que trabalhava] em 2017. Quando meus pais estavam melhor, eu consegui a vaga no curso”, conta.

“Fiz entrevista com a Kenia, contei que estava em depressão por cuidar de dois idosos: mãe com cirurgia no coração e pai com tumor na língua. Ela me acolheu muito bem na entrevista e me deixou fazer o tão sonhado curso”, explica.  

Na época, Mônica procurava por um curso que se identificasse e que funcionaria como terapia. “Aqueles dois meses me fizeram sonhar. Quando você pega uma placa de MDF e transforma em algum móvel, objeto… existe um sonho, um planejamento, você passa o dedo e sente a textura do material, você aprende a mexer nas ferramentas da oficina. Naquele momento eu não lembrava dos ‘problemas’ de casa”, relata.

“Isso me fez muito bem. Você faz novas amizades, você pensa: ‘devo abrir uma marcenaria?’. Sua mente começa a receber novas informações, conteúdo positivo e naturalmente sonhamos com um futuro melhor”, ressalta.  

Durante o período em que esteve no Leo Social fazendo o curso, a bancária conta que tinha muito medo de perder os pais. “Depressão existem fases. Você pode estar triste, insatisfeita com a vida. Isso não é depressão. Só quem já teve, entende. Eu tive muito medo dos meus pais morrerem. Foi um processo longo entre casa, hospital, UTI, fazer exames, mudança de remédios constantes, teve um período que eu carregava os no colo”, lembra.  

O acolhimento do Leo Social

acolhimento do Leo Social foi um instrumento importante para Mônica, como ela relata: “A Kenia, além de me ajudar conversando, me incentivando, apoiando, sempre estava sorridente. Quando nos encontrávamos pelos corredores ou na catraca, local onde nos reuníamos para entrar no curso, todas as vezes a Kenia sorriu e me disse frases de motivação. Sabe aquela pessoa que olha nos olhos e diz a verdade com muito carisma? Eu fui tratada assim por 2 meses”. 

Foto: Monica/Arquivo pessoal

A volta por cima

Anos depois, já formada no curso, Mônica teve novamente um quadro de depressão. “Em 2020, eu tive depressão profunda, de ficar 8 horas deitada na cama, sem me mexer. A sensação: estou no fundo do poço mesmo. Minha mãe demorou de 2016 até 2020 pra ficar ‘saudável’ e andar sozinha. Cansei de ir à psiquiatra e aumentarem as doses dos remédios. Eu fiquei dopada”, afirma.  

“Fiz tratamento com hipnose. O tratamento foi por vídeo, pelo celular. Eu não conseguia nem lavar uma louça, imagine ir até São Paulo para uma consulta com terapeuta. Na época era impossível. Após 3 meses, eu estava ótima. Fui desmamando os remédios aos poucos. Levei 10 meses para me livrar totalmente dos remédios. Nunca mais voltei em psiquiatra”, completa Mônica.  

Foto: Móvel feito por Monica e outros alunos do curso do Leo Social/Arquivo pessoal

Mônica conta ainda que passou um fim de semana em Serra Negra para aprender meditação, foi a palestras e aprendeu muito sobre alma.

“Sempre acreditei em Deus, mas na depressão profunda cheguei até achar que Deus não existia ou que estava com raiva de mim. Por tudo aquilo estar acontecendo. Após melhorar, que é um processo lento da depressão, voltei a acreditar em Deus. Converso com ele várias vezes ao dia através da meditação, inclusive, eu me conecto. Mas não gosto de religião. Já li sobre o budismo, que me encanta muito”, revela.  

Recuperada, Mônica agora está cheia de planos e nutre um carinho especial pelo Leo Social. “Tenho vários planos. Sonho de criar uma empresa na questão pet com marcenaria junto: casinha, suporte pra gatos, etc. Já ajudei muito em resgate de animais. Este sonho, surgiu no Leo Social, porque foi quando aprendi a ter contato com a madeira, MDF, fórmica, etc”, afirma.

“Os meus sentimentos ao Leo Social são os mais sinceros e verdadeiros de gratidão e amor. Em 2018 eu aprendi coisas novas, fiz novas amizades e aprendi a sonhar com um futuro muito melhor”, conclui.

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