As conexões do skate com a marcenaria

As conexões do skate com a marcenaria

No ano em que o skate se tornou uma modalidade olímpica e contou com três brasileiros medalhistas, conheça a ligação do skate com a marcenaria

Pela primeira vez na história, o skate estreou como uma modalidade olímpica. O feito aconteceu na 32ª edição dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Muito bem representado, o Brasil trouxe três medalhas de prata, duas conquistadas na categoria “street” com Kelvin Hoefler, no masculino; e Rayssa Leal, a fadinha, no feminino. E uma na categoria “skate park” com Pedro Barros 

O skate foi idealizado por surfistas californianos na década de 1950, que estavam insatisfeitos em esperar por boas ondas. Na época, o esporte era chamado de sidewalk surfing – surfe de calçada, em tradução literal. E foi acoplando rodinhas de patins a pedaços de madeira  olha a marcenaria aí  que o skate ganhou vida. 

Foto: Da esquerda para direira, Jonathan Vasconcelos e Alex Scandelai/Arquivo pessoal

Seiva Boards

O skate e a marcenaria estão conectados desde o início e permanecem assim até hoje, como contam Alex Scandelai e Jonathan Vasconcelos, fundadores da Seiva Boards, empresa fabricante de skates.

Publicitário e Designer Gráfico, respectivamente, Alex e Jonathan sempre trabalharam com criação de marcas, branding, design de produto e embalagem. Foi na época em que trabalharam juntos no marketing de uma empresa de alimentos que eles criaram a Seiva Boards.

A ideia de produzir skates surgiu pela falta do surfe na vida do Alex, quando saiu do Guarujá para morar em São Paulo. Essa necessidade foi suprida pelo skate, mas o shape por ser de plástico, ficava muito flexível e prejudicava a performance”, relatam.

“Foi então que tivemos a ideia de fazer um shape em madeira, pois poderiam contar com a ajuda do pai do Jonathan, que é marceneiro. Foi aí que tudo começou”, explicam.  

Com a ajuda do seu Joecy, pai de Jonathan, a dupla colocou a mão na massa. “Ele [seu Joecy] que nos direcionou em todos os processos, desde material, fabricação, acabamento e tudo mais. O Jonathan também já tinha contato com a marcenaria desde pequeno, então unimos tudo isso e a Seiva surgiu, a partir da marcenaria raiz, fazendo marcações no lápis, cortando na tico-tico e tudo mais”, revelam.  

Alex e Jonathan contam que foi incrível poder unir a marcenaria com o skate, já que ambos têm um amor em comum em trabalhar com madeira.

“A fabricação de um shape é marcenaria pura, somente adaptamos ao estilo dos nossos skates, que são como os primeiros skates que surgiram nos anos 60/70, feitos com madeira maciça e reta, sem os chamados concaves, que vemos nos skates atuais. Todos os processos de produção de um shape são como a produção de um móvel, por exemplo, então a marcenaria está diretamente ligada ao nosso trabalho”, afirmam. 

A junção de duas paixões  

Foto: Fabrício e os filhos/Arquivo pessoal

Quem também uniu a paixão pelo skate com a marcenaria foi Fabrício Botelho Mendonça Coelho, dono da Fuska Skateparks – empresa especializada em construção de pistas de skate. Fabrício anda de skate desde os nove anos idade. A marcenaria ele conheceu após sua mãe o inscrever em um curso.

“Eu optei por marcenaria e acabei me destacando como um dos melhores alunos que passaram pelo curso, em Uberlândia – MG. Trabalhei dois anos como funcionário, mas aos 17 anos montei uma marcenaria no fundo da casa da minha mãe”, revela Fabrício.

Ele explica que foi ali, no fundo da casa de sua mãe, que ele começou a fabricar telas de pintura para artistas plásticos. Logo após montou uma loja e começou a fabricar pistas de skate. 

“Comecei a construir pistas de skate em 1997, na cidade de Uberlândia – MG, mas para nosso uso próprio. E as rampas foram muito bem aceitas por skatistas profissionais que andaram nas rampas. Fuska é a junção de FU de Futrica, meu apelido por mexer em tudo e fazer de tudo; com SKA de skate”, explica o empresário. 

Sobre unir o skate e a marcenaria, Fabrício é contundente: “Foi muito bom. O resultado foi ótimo e resultou em pistas de alta qualidade”. E ele lembra de como foi a recepção.

“Em 2001, construí minha própria pista itinerante. Para locação de eventos como campeonatos de skate e apresentações. Logo de cara nossa pista foi utilizada para palco mundial de skate de 2001 na cidade de São Bernardo do Campo. Os elogios vieram até da organização mundial World Cup Skateboard, que resultou em mais locações para circuitos amadores importantes do Brasil e etapas do Circuito Brasileiro Profissional da época”. 

Fabrício chegou a desenvolver uma pista 100% construída com materiais recicláveis. A Fuska Skateparks fez parceria com uma empresa que fornece placas ecológicas desenvolvidas a partir do lixo plástico e metálico, que resiste a temperaturas térmicas diversas e apresenta boa durabilidade. 

“Foi um projeto que levou alguns anos, mas que é difícil de ser viável pelo alto custo do material e dificuldades para fazer pistas com chapas plásticas [feitas a partir de resíduos industriais moídos e prensados]. Contei com apoio da Bosch Brasil neste projeto”, admite.  

O skate brasileiro nas Olimpíadas 

As medalhas conquistadas por Rayssa Leal, Kelvin Hoefler e Pedro Barros Skate Street e Skate Park nas Olimpíadas deixou todos os brasileiros orgulhosos, assim como as vitórias de Rebeca Andrade na Ginástica Artística, Ítalo Ferreira no Surfe e outros atletas que participaram ou trouxeram medalhas nesses Jogos Olímpicos.  

Para Alex Scandelai e Jonathan Vasconcelos da Seiva Boards, está sendo incrível ver o skate e também o surfe tomando proporções como esportes olímpicos. “Temos certeza que essa exposição quebrou um pouco do preconceito que muitas pessoas ainda tinham e vai incentivar cada vez mais crianças e jovens na prática do skate, que acaba se tornando um estilo de vida que vai além do esporte”, afirmam.

“A visibilidade dos jogos olímpicos é muito positiva, pois apresenta para quem não conhecia o real espírito do skate, que é mais do que competir, e sim se divertir”, completam.  

Muito bom ver o skate chegando em todas as televisões do planeta e os brasileiros no pódio”, enaltece Fabrício da Fuska Skateparks. “Uma certeza que o skate receberá o que é devido por termos campeões mundiais. Eles [skatistas medalhistas olímpicos] representam todos nós, skatistas e brasileiros, que lutamos a vida toda pelo profissionalismo no meio do skate”, conclui Fabrício.

Apoio ao esporte brasileiro 

O Leo Social acredita e apoia o esporte brasileiro. Em 2019, por exemplo, apoiamos o Circuito Paulista Universitário de Surf, produzido pela IBRASURF e que contemplou centenas de jovens surfistas, trazendo estrutura profissional de competição para praias de Maresias e Itamambuca, no litoral norte de São Paulo (leia mais sobre). Estamos felizes com as conquistas de nossos atletas brasileiros em todas as modalidades olímpicas.

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