Projeto Arquitetando o Mundo gera impacto social com jovens do país
Iniciativa de Valter Strunk e Ariadne Pereira também já realizou projetos em parceria com o Leo Social. Conheça!

De uma mesa de bar para um motorhome que impacta jovens e os espaços onde moram. Foi assim que surgiu o Arquitetando o Mundo, projeto do arquiteto Valter Strunk e da psicóloga Ariadne Pereira.
“O Arquitetando o Mundo surgiu em meados de 2017, no dia que a gente se conheceu, em uma mesa de bar. Na época, o Valter trabalhava como diretor de arte em uma empresa de cenografia e eu, como psicóloga em um Serviço de Proteção às Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência”, afirma Ariadne.
“Quando o Valter soube que algumas das crianças que eu atendia moravam em abrigos (hoje conhecidos como Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes – SAICA), ele perguntou como eram aqueles espaços e se elas [as crianças] se sentiam em casa morando em uma instituição”, explica.
“Relatei que os SAICAs garantem o básico para os acolhidos, mas nem sempre são lugares acolhedores, o que impacta diretamente no desenvolvimento das crianças. A partir dessa conversa, somado às nossas insatisfações no trabalho que exercíamos e a vontade de fazer algo socialmente relevante, criamos o Arquitetando o Mundo”, lembra a psicóloga.
O objetivo do Arquitetando o Mundo é democratizar a arquitetura e tornar os participantes das ações mais conscientes dos espaços onde vivem e frequentam, provocando o melhor de cada um nesse processo.
A primeira ação do casal aconteceu dois meses após eles criarem o projeto. Ariadne e Valter reuniu amigos e parentes, fizeram uma vaquinha e realizaram um mutirão para transformar a sala de TV da SAICA da Zona Norte de São Paulo.
“Esse momento foi realmente marcante, aprendemos muito e a partir daí, conseguimos refinar nossas metodologias, entender erros e acertos para então transformar mais 4 instituições entre os anos de 2018 e 2019”, destaca Ariadne, que ressalta que essa ação foi a que mais marcou o projeto até aqui.
“A ação fez a gente entender que era possível realizar um trabalho relevante, crítico, fazendo uso dos nossos conhecimentos e experiências em psicologia e arquitetura”, enaltece.
Impacto social
Antes de cada reforma que promovem em instituições, o Arquitetando o Mundo realiza algumas oficinas que são chamadas de Laboratório de Criação. São nessas oficinas que os jovens exercitam a criatividade, “re-conhecem” o espaço onde vivem, aprendem conceitos básicos de arquitetura, entram em contato com artistas e artesãos e, sobretudo, sonham.
“Sonhar com um novo espaço é a possibilidade de criar um projeto de vida no qual os próprios jovens são protagonistas”, afirma Ariadne.
“Nosso carro chefe são as reformas no estilo ‘faça-você-mesmo’. Esse processo conta com duas etapas: Laboratório de Criação e Mão na Massa, que duram em média 10 dias. Além das atividades com as crianças, realizamos cursos com profissionais da educação e assistência social sobre a importância do ambiente no desenvolvimento da criança”, explica a psicóloga.
O Arquitetando o Mundo já impactou mais de 100 jovens ao longo desses anos. “Esperamos aumentar ainda mais esse número”, diz empolgada Ariadne.
Parceria com o Leo Social
O Leo Social também faz parte da história do Arquitetando o Mundo. O projeto já realizou, entre 2018 e 2019, quatro ações em parceria com o Leo Social nas chamadas Repúblicas Jovens, que são equipamentos públicos que acolhem jovens em vulnerabilidade social entre 18 e 21 anos.
“A primeira parceria a gente nunca esquece. Foi realmente mágico ter o Leo Social com a gente durante dois anos, nos quais pudemos unir o melhor de cada um para transformar a realidade de dezenas de pessoas”, afirma Ariadne.
Os jovens atendidos pelo projeto desenhavam objetos/móveis e a execução ficava por conta dos alunos do curso de Meio Oficial de Marcenaria do Leo Social, que entregavam a peça por meio do Marcenaria do Bem – trabalho de conclusão do curso.
“Desenvolvemos um processo criativo com os jovens, que criavam e desenhavam um ‘objeto-desejo’ para ser construído pelos alunos do Marcenaria do Bem. O momento das entregas era sempre muito potente. A troca entre os jovens e os alunos [do Leo Social] era um momento bastante especial, capaz de resgatar a autoestima de alguns e mudar a perspectiva de vida de outros. Emocionante!”, relembra a psicóloga.
Motorhome e planos futuros
Para levar o projeto a ainda mais lugares, o casal também apostou na empreitada de construir um motorhome – uma casa sobre rodas. A casa funciona como oficina nômade e é parte integrante das ações e cursos que eles oferecem pelo Brasil.
“Demoramos quase um ano para construir o motorhome. O Valter encabeçou a montagem e sem saber quase nada, pesquisando na internet, no YouTube e em grupos de WhatsApp, conseguiu com louvor erguer nossa casinha”, relata Ariadne.
“Diante dos nossos privilégios (somos brancos, classe média, tivemos a oportunidade de fazer o ensino superior), escolhemos vivenciar esse processo para justamente mostrar o poder do ‘faça-você-mesmo’, ainda que você acredite que não sabe fazer nada”, completa.
Para construir o motorhome, Valter também realizou o curso de Meio Oficial de Marcenaria da Escola da Marcenaria do Leo Social em 2019. “Foi dada a largada! 55 dias, 4 horas por dia, um total de 220 horas para se tornar marceneiro. Muito obrigado Instituto Leo pela oportunidade”, enalteceu o arquiteto nas redes sociais do Arquitetando o Mundo na época.
A expedição pelo Brasil do casal começou em São Paulo, com a reforma da quadra de um SAICA na Zona Leste. Está em Minas Gerais e seguirá por todo o país. “Iremos subir o país pelo centro-oeste, descer pelo nordeste até o sul. A meta é fazer esse trajeto em 18 meses”, pontua Ariadne.
“A jornada é intensa e nem sempre fácil, mas acreditamos tanto no que fazemos que nos orgulhamos de toda nossa história. Cada pequena conquista é um orgulho que nos faz movimentar e continuar seguindo”, destaca o casal.
“Nosso plano é continuar realizando um trabalho que faça a diferença na vida das pessoas e nossa meta é impactar muitas pessoas e comunidades Brasil à fora”, concluem.