Do rock à marcenaria: aluno da Escola da Marcenaria abre empresa

Do rock à marcenaria: aluno da Escola da Marcenaria abre empresa

Jimmy Olden, trabalhou como design gráfico, fez o curso de 1/2 Oficial e hoje abriu sua própria marcenaria 

Imagine ser um cantor e guitarrista de uma banda de rock, que trabalhou anos como design gráfico e, por um acaso do destino, encontrou na marcenaria a sua fonte de sustento. Essa é a história de Jimmy Olden, ex-aluno da Escola da Marcenaria, iniciativa do Leo Social.  

Antônio Carlos de Souza, conhecido socialmente como Jimmy Olden, foi aluno do curso de Meio Oficial de Marcenaria, em 2017. Ele tem 29 anos, mora na Freguesia do Ó e desde abril de 2022, ao lado de um sócio, gerencia a sua própria marcenaria. 

Mas, antes de falarmos do atual negócio de Jimmy, é preciso contar como se deu todo o processo que aproximou o músico da marcenaria.  

A necessidade faz o marceneiro 

 

Desde os 12 anos, Jimmy participa de bandas de rock, sempre como cantor e guitarrista. Foi na primeira, inclusive, que ele adotou o alterego Jimmy Olden. “Eu achava que meu nome era nome de velho. Então, resolvi adotar esse alterego, que hoje é meu nome social”, explica.  

Jimmy passou por diversas bandas e, em paralelo, tinha habilidades com design gráfico. “Eu fazia encarte de disco, capa e trabalhos pontuais para comprar as coisas. Passei a investir o meu tempo para trabalhar com design”, afirma.  

Ele trabalhou de forma autônoma com design gráfico por um bom tempo. Mas com a queda nas demandas, precisou ir atrás de novas fontes de renda. Foi então que marcenaria surgiu na vida do músico. 

“Eu precisava fazer um gabinete de guitarra. Por isso, fui pesquisar vídeos de como fazer. Eu achei que conseguiria fazer, por já ter um pouco de noção de trabalhar com madeira, já que meu pai é carpinteiro”, revela Jimmy.  

Ele conta que visitou o site da Leo Madeiras para comprar o material. Navegando pelo site, apareceu um pop-up anunciando o curso de Meio Oficial, da Escola da Marcenaria. “Eu falei ‘agora é a minha chance’ e me inscrevi”, lembra.  

O curso de marcenaria como terapia 

Foto: Jimmy e sua turma durante o curso/Arquivo pessoal

Jimmy se inscreveu e fez o curso de Meio Oficial, da Escola da Marcenaria, no segundo semestre de 2017. Apesar de já ter tido contato com a marcenaria, ele relembra que o curso o ajudou muito a vencer alguns de seus medos.  

“Eu lembro que tinha medo de usar serra estacionária. O curso me ajudou a perder esse medo”, conta. “Não imaginaria que teria capacidade de criar um criado mudo ou um armário. Foi gratificante e a minha família ficou orgulhosa por isso”, diz com um sorriso no rosto.  

Além de enaltecer a parte técnica que aprendeu no curso, Jimmy destaca também o cuidado da Escola da Marcenaria com os alunos e alunas. 

Ele, por exemplo, chegou ao curso com problemas de saúde mental. “Eu estava tendo depressão e com problemas de saúde mental. O curso cuidou de mim. E eu consegui usar o curso até como forma terapêutica”, agradece. 

“Muita gente entrou no curso pelo mesmo motivo. Pela vulnerabilidade social e por desemprego. Gente que estava se sentindo deprimido, etc. Foi um grupo de apoio de conversar, trocar vivência e aprender marcenaria”, acrescenta. 

“Lembro de um colega que estava em uma situação difícil. Não tinha nem celular para acompanhar o conteúdo teóricos em pdf. Eu tinha um celular que era meu e eu não usava mais. Dei o celular para ele para ele ter acesso ao material do curso, incentivando-o a ficar até o final”, comenta Jimmy.  

De acordo com o aluno, o curso ainda o ajudou a solidificar seus valores. “Minha turma tinha mulheres e pessoas LGBTQIA+. Escutamos muito no ramo da construção sobre preconceito. E precisamos falar sobre esses assuntos e saúde mental”, exclama.  

A vida após o curso de marcenaria 

Foto: Jimmy durante a Formóbile 2022/Arquivo pessoal

Jimmy começou a trabalhar em uma marcenaria logo após a conclusão do curso. Ele começou no cargo de Ajudante de Marcenaria. Segundo o meio oficial, os ajudantes não eram bem vistos dentro da empresa, mas ele mudou isso.  

Comecei a passar por isso e a ter influência de decisão. Me tornei um líder e tomava iniciativa para ajudar o marceneiro. Reunia eles para conversar para melhorar o trabalho de todos”, enaltece.  

O meio oficial passou por outras quatro marcenarias passando por diversos cargos, como projetista vendedor, gerente de marketing e até analista administrativo. Começou a cursar publicidade, em 2018, mas trancou o curso durante a pandemia. 

Foi com toda essa bagagem que, neste ano, Jimmy abriu sua empresa. Segundo ele, sua marcenaria começou de forma maluca. Afinal, era uma época em que ele queria trabalhar em uma luthieria, isto é, trabalhar fabricando, ajustando e consertando instrumentos musicais.  

“Eu estava disposto a trabalhar com isso, até por ser músico. Mas um ex-colega de trabalho entrou em contato comigo e fomos marcar um almoço. E foi então que ele me chamou para abrir a empresa”, conta. 

Segundo Jimmy, antes de iniciar os trabalhos do negócio, ele e o sócio, Pedro Pinheiro, organizaram toda parte burocrática. “Começamos a preparar a máquina de cartão, abrir o CNPJ e eu tirei a habilitação”, relata.  

É aberta a OKI Marcenaria 

Foto: Jimmy ao lado do sócio, Pedro e do ajudante, Wesley/Arquivo pessoal

Em abril deste ano foi aberta a OKI Marcenaria. Sobre o nome da empresa, Jimmy revela que pesquisou palavras correlatas à madeira e ao ofício em outras línguas. “Oki é uma palavra polinésia da região do Havaí. Significa a madeira do carvalho ou o verbo de corte”, explica.  

Localizada na zona norte de São Paulo, a OKI Marcenaria produz e entrega móveis em MDF para vários ambientes. Também produz móveis em madeira maciça, de forma artística e ornamental. Além disso, trabalham com estruturas de metal e peças decorativas. 

Enquanto Pedro, um marceneiro experiente na área, fabrica e entrega os móveis da marcenaria, Jimmy cuida da parte de vendas, marketing e relacionamento da empresa.  

Recentemente, surgiu a possibilidade de expansão com a entrega de Reginaldo de Campos na sociedade. Com isso, além do espaço na zona norte, a OKI Marcenaria passa a atuar também na zona leste de São Paulo.  

“Hoje a demanda são projetos pequenos. Atendemos por volta de 6 clientes por mês. Ainda não conseguimos investir em marketing, porque acredito que fazendo isso iremos explodir”, acredita Jimmy. Ele ainda revela o desejo de implantar a Marcenaria 4.0 em seu negócio.  

Jimmy se mostra feliz com o negócio atual e dá um recado para quem deseja trabalhar com marcenaria: “A marcenaria não é um mercado engessado. É um mercado diverso. Não é só sobre chão de fábrica e peça na serra, tem seus valores e é uma profissão milenar e uma das poucas que irão perdurar, pois nada substitui o trabalho da mão humana”.  

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